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Pimenta e Árvores: Armas Improvisadas na História

Por volta de 1552, o soldado e aventureiro alemão Hans Staden tornou-se cativo dos tupinambás, nas proximidades onde hoje se localiza a cidade de Ubatuba. Staden permaneceu nove meses em poder dos indígenas e só não foi devorado graças a uma mescla de audácia, talento e sorte, e seu livro sobre suas aventuras, "Duas viagens ao Brasil", é, ainda hoje, uma importante fonte de pesquisa sobre o Brasil colonial.

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A Pimenta como Arma QuímicaEm uma das passagens mais interessantes do livro de Hans Staden, ele fala de uma utilização bastante curiosa para a pimenta que demonstra que os índios brasileiros tinham um grande domínio sobre seu ambiente e compreendiam as potencialidades das plantas que cultivavam. Em combates que poderiam durar meses contra aldeias inimigas, os tupinambás queimavam grandes quantidades de pimenta para forçar os ocupantes de determinada posição a abandoná-la. A queima das pimentas resulta na liberação do composto químico capsaicina, que produz a sensação de queimação nos tecidos.As pimentas fazem parte da dieta dos ameríndios desde tempos imemoriais, e foram selecionadas e domesticadas durante milênios por suas características de realçar sabores e temperar comidas. Mas, enquanto a domesticação, lentamente, aumentava os conteúdos das capsaicinas, conferia às pimentas uma utilidade nova. Aproveitando-se do vento, os tupinambás queimavam as pimentas e enviavam às aldeias inimigas nuvens de capsaicina. Essa é talvez a primeira arma química da história da humanidade. As mesmas pimentas que ajudavam a prender o inimigo serviam depois para temperar sua carne nos banquetes canibais que ficaram tão famosos.

Árvores como Armadilhas AntitanqueSe as pimentas foram usadas como armas de guerra pelos tupinambás, árvores urbanas foram vítimas durante a Segunda Guerra Mundial. Nos últimos dias da batalha de Berlim, quando o exército vermelho buscava dar o golpe final no coração do terceiro Reich, nas ruas da cidade, as árvores proporcionavam uma forma improvisada de defesa. Os alemães, buscando atrasar o avanço dos aliados, escavavam no tronco das árvores esconderijos para explosivos. Eram armadilhas antitanques que faziam as árvores caírem, bloqueando as principais avenidas de Berlim.Esse ato tardio e desesperado foi descoberto somente em 1955, quando uma árvore equipada com explosivos que não havia sido detonada foi gravemente atingida por uma tempestade e teve de ser cortada. Os funcionários identificaram a presença da bomba não somente nesta, mas também em muitas outras árvores ao longo da rua, evidenciando a estratégia de guerra. Os explosivos haviam passado despercebidos por 10 anos e foram cuidadosamente retirados. As árvores, dessa vez, sobreviveram.

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